Parcerias de borla nas redes sociais – sim ou não ?


Esta semana decidi partilhar um vídeo no Instagram a propósito de uma absurda quantidade de publicações sobre pensos higiénicos que andavam a aparecer no meu feed do Instagram (podes ver o vídeo no final deste artigo).

Um vasto conjunto de “influenciadoras digitais” aceitaram uma única embalagem de pensos higiénicos, que custa cerca de 3 euros no supermercado, a troco de seis publicações no Instagram. Pelas minhas contas, cada publicação ficaria com o custo de uns míseros 0,50€.

Ora, um bom criador de conteúdos demora, muitas vezes, bem mais de uma hora para criar uma nova publicação. Entre pensar no conceito da fotografia e concretizá-la para depois editá-la e criar um copy (legenda) com sentido, passa-se algum tempo. E se há campanhas publicitárias em que marcas oferecem produtos e serviços aos quais damos valor, não consigo entender em que universo alguém possa achar justo receber uma caixa de pensos higiénicos e manchar a sua credibilidade junto da sua comunidade e das marcas por andar a trabalhar assim, de borla.


Há sem dúvida campanhas e colaborações que, ainda que sejam a troco de produto, fazem sentido. Seja pelo valor sentimental dos produtos, seja pelo valor monetário dos mesmos. O valor é algo que só cada um de nós pode dar. Ainda assim, juro que não consigo compreender qual o valor que um criador de conteúdos pode ter numa única embalagem de pensos higiénicos. Se fosse um conjunto de 10 embalagens, ainda poderia entender (para UMA única publicação no feed), mas jamais para 6 publicações por 1 embalagem.


Nem que tivesse um projecto digital apenas sobre menstruação eu aceitaria uma proposta destas. Poderia até falar sobre a marca se fosse um produto relacionado com o meu nicho e com o meu público-alvo porque, acima das marcas, estão as necessidades do meu público. No entanto, se uma marca me fizesse essa proposta, eu faria imediatamente uma contraproposta justa. E, se a marca não aceitasse, amigos como dantes mas cada um para o seu lado.

O tempo que esses criadores de conteúdo estão a perder com essa e outras campanhas irrisórias do mesmo género podia estar a ser gasto em actividades muito mais interessantes para o seu projecto, tais como:

· Criar conteúdos de valor para a sua comunidade

· Interagir com a sua audiência e outros criadores de conteúdo

· Fazer propostas de parcerias às marcas de forma estruturada

· Ler ebooks sobre Ganhar Dinheiro Online, Crescer no Instagram ou Aprender a Fazer Parcerias

· Criar Media Kits poderosos

· Analisar as estatísticas para perceber quais os posts que correram melhor

· Analisar o público-alvo e perceber quais são as suas necessidades

O VOSSO TEMPO É DINHEIRO!

Enquanto não se valorizarem, enquanto não perceberem que o vosso tempo é precioso, vão continuar a sujeitar-se a situações nas quais estão claramente em desvantagem. Para além do mais, estão a denegrir totalmente o mercado dos influenciadores digitais que trabalham para ter conteúdos de qualidade e serem pagos por isso.

Sim, há marcas a pagar MILHARES de euros a influenciadores digitais. Porque raio havias de te contentar com uma embalagem de pensos higiénicos quando o teu projecto nem sequer é sobre saúde/beleza/bem-estar/menstruação quando há marcas dispostas a pagar pelo teu trabalho? VALORIZA-TE! Fá-lo por ti e por todos os outros criadores de conteúdo.

Se uma marca te fizer uma proposta tão absurda quanto esta, faz uma contra-proposta justa, que mostre que sabes o que estás a fazer e que o teu trabalho tem um preço. Alto ou baixo, tem um preço. E cabe-te a ti bater o pé e dizer “meus amigos, se acham que eu trabalho por 0,10€ à hora, não merecem que comunique a vossa marca junto da minha comunidade”.

O mais triste no meio disto tudo é que vejo cada vez mais pessoas no Instagram a intitularem-se de “influencers” e, na verdade, são apenas catálogos. Toda e cada publicação que postam no feed é uma imagem publicitária de divulgação de marcas. Não estão direccionados para um determinado tema, não têm um público definido e não sabem para que lado vão. O que sabem, isso sim, é que querem coisas de borla para poderem dizer que são influencers e que ganham coisas.

  • Foquem-se no vosso conteúdo.

  • Foquem-se na vossa audiência.

  • Criem a vossa comunidade.

  • Trabalhem arduamente para criar publicações que a vossa comunidade vai gostar de ler porque responde às suas necessidades.

  • Falem apenas sobre as marcas com as quais realmente se identifica, sejam elas patrocinadas ou não. Rejeitem o que não fizer sentido para a vossa audiência.

Se criarem uma comunidade activa e conteúdos relevantes, as marcas certas para o vosso nicho vão querer trabalhar convosco. E até mesmo pagar-vos para que lhes façam publicidade. Não desesperem por coisas de borla.

E não levem a peito. Isto são críticas construtivas, tanto para os criadores de conteúdos que aceitam tudo e um par de botas só para dizer que são “patrocinadas”, como para as marcas que não valorizam o trabalho dos verdadeiros criadores de conteúdo. Só juntos podemos fazer com que o mercado evolua.


IMPORTANTE: Embora este artigo seja relativo à temática das parcerias, não quero dizer que todos os conteúdos devam ser patrocinados. Pelo contrário! As vossas redes sociais devem ser genuínas, focadas na partilha do tema que elegeram para comunicar, sempre a pensar na comunidade que vos segue. Se encontrarem marcas que se identificam com o projecto e que actuam no mesmo nicho, fantástico. Mas a publicidade não deve ser o centro da vossa presença digital.



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